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Artigo Exclusivo

Lembre-se de abaixar o volume, por Juliana Caversan

07/04/2020 | 11h16
Lembre-se de abaixar o volume, por Juliana Caversan
Divulgação Divulgação

Após alguns dias na experiência do isolamento, muitas informações tornam-se cada vez mais claras para mim. Elas são um rico material sobre existir e caminhar em momentos de crise. Assim como eu, muitos colegas têm compartilhado seus conhecimentos sobre os mecanismos psicológicos envolvidos na experiência de confinamento.

Diversos são os ângulos de análise e posterior intervenção, uma gama de possibilidades e caminhos. No entanto, todas convergem para o objetivo de minimizar o impacto do momento pelo qual estamos passando em nossa saúde física e mental. No meu caso em particular, enquanto pesquisadora doutora em Psicologia e especialista em Controle do Stress, opto pelo ângulo deste último. O Stress, inicialmente chamado de Sindrome de Adaptação Geral pelo médico Hans Selye em 1956, é um recurso do nosso organismo para adaptar-se a situações que ameacem nosso equilíbrio interno, nossa homeostase.

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De acordo com esta definição percebemos o papel positivo do Stress para a manutenção da nossa sobrevivência. Mas por que então grande parte das publicações sobre o tema têm como proposta controlar, diminuir e até acabar com o stress? A resposta está no tempo de duração da ativação desse recurso. Quando ele se torna prolongado e intenso, isso pode gerar um desgaste excessivo no organismo, uma exaustão, que culmina em esgotamento das reservas de energia, as quais são utilizadas para a preservação do nosso sistema imunológico. A administração do nível de Stress requer a utilização de um amplo repertório de recursos.

O desafio é construir nosso próprio Manual de Sobrevivência em Tempos de Crise!

Podemos iniciar o processo nos tornando conscientes de quais são as emoções mais perturbadoras neste momento, as quais podem ser preocupação, aflição, angústia, ansiedade, irritação, raiva, medo, desespero, tristeza, desânimo, desesperança, dentre outras. É importante também perceber em qual momento do dia elas se intensificam, e em quais situações costumam estar presentes. Tendo essas duas informações bem claras, emoção e situação, pergunte-se sobre a maneira como você está interpretando tal situação que faz com que você experimente tal emoção.

Por exemplo, eu me sinto preocupada quando leio uma notícia sobre o aumento de casos da doença no mundo, eu me sinto assim porque acho que estou cada vez mais próxima de ficar doente também. Ao identificar todas as partes deste processo, podemos obter várias informações sobre nossas turbulências internas frente às instabilidades externas. A primeira delas está relacionada ao fator temporal, a distinção entre passado, presente e futuro. Proponha-se o exercício de diagnosticar qual é o tempo da sua emoção e perceberá que em grande parte do dia ela habita no período passado ou no futuro. No exemplo dado, ela estava no futuro. Mas eu poderia estar também triste pelas perdas acumuladas dia após dia de confinamento, por tudo que estou deixando de fazer. Seja qual for o lugar aonde a sua mente está, isso não é um problema; ela fará este movimento automaticamente.

Construímos histórias o tempo todo sobre o que está acontecendo. E observar este movimento é libertador. Sinto-me livre quando noto que o presente momento é um espaço aonde muitas coisas acontecem, mas que a minha mente está engajada em apenas uma delas, tentando consertar aquilo que ela considera errado, ou imperfeito, ou um absurdo. A partir daí posso ampliar o meu campo de visão para tudo o que pertence ao aqui e agora, permitindo que a realidade seja como ela é; sabendo que nada precisa ser excluído para que eu possa existir, para que eu possa respirar e para que eu possa viver. A verdadeira liberdade reside em compreender que as circunstâncias são como são, e assim nos conectamos com a natureza como ela é. Diminuir o fluxo de julgamentos e críticas traz como resultado a regulação emocional. Quando deixamos nossa mente funcionando indiscriminadamente no piloto automático, veremos que ocorre justamente o contrário, sentimo-nos sobrecarregados emocionalmente. Quer saber como praticar o equilíbrio das suas emoções? Imagine que elas são como o som de uma melodia, e que você pode regular seu volume; sempre que perceber que o som está muito alto e insuportável saiba que é possível diminuir aos poucos até que fique possível e aceitável.

Não estamos buscando o silêncio absoluto, mas um ruído que não nos impeça de caminhar.

Sobre a autora: Juliana Caversan é psicóloga e consultora cognitivo comportamental. Doutora em Psicologia pelo Programa de Pós Graduação em Psicologia da UFRJ (2015). Possui mestrado (2007) e graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002).



Fonte: Juliana Caversan
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