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Artigo Exclusivo

A era do conhecimento flexível que ocupa menos espaço ainda chegou, por André Luiz Barros

04/03/2021 | 10h05
A era do conhecimento flexível que ocupa menos espaço ainda chegou, por André Luiz Barros
Divulgação Divulgação

A universidade foi para mim um lugar de encontros, a maior parte deles, por meio do conhecimento. Minha melhor amiga hoje em dia, por exemplo, saiu de lá. Outro encontro marcante, este 100% via páginas de livros, foi com o filósofo polonês Zygmunt Bauman e seu conceito de liquidez. Utilizei a teoria dele para nortear todos meus estudos acadêmicos desde então, inclusive para estudar o funk carioca, um dos meus objetos de pesquisa diria que até hoje. Hoje irei falar sobre conhecimento líquido e lifelong learning – a era do aprendizado customizável e flexível que acontece no decorrer de toda a vida chegou e encontram nas lives o ambiente propício para sua propagação.

Para Bauman, a solidez das coisas e das relações poderiam ser interpretadas como uma ameaça. Isso por um motivo simples, qualquer comprometimento maior de longo prazo em qualquer que seja a esfera limitaria a liberdade de possibilidades. Imagina, vejam só, em pleno 2021 termos que escolher nossa carreira aos 18/20 anos, ou até antes, se técnica ou via graduação, no campo ou na cidade grande, numa empresa ou no próprio negócio, e mais, que esta decisão norteasse toda a trajetória profissional de uma vida para sempre. O tempo é outro, as ideias mudam e tudo envelhece mais rápido – há um turbilhão de oportunidades que podem surgir e que sequer conhecemos ainda. Deixar certas coisas de lado, como se fossem descartáveis, é o “the new black”. O que é fixo é démodé. O flexível é o que atrai.

E se quase tudo pode ser descartado neste novo mundo, por que cargas d´água este comportamento seria diferente com o conhecimento? Em um mundo semi-pós-Covid lotado de lives, em que o formato EAD ganhou força e a educação e trabalhos remotos se fizeram reais imperativamente, o aprendizado imediato e o resumo de tudo que é útil em meetings de uma hora se transformaram em um universo paralelo de diplomas e conclusões de curso em formatos de posts no LinkedIn.

Se a apreensão de conhecimento já se encontrava em crise antes de 2020 especialmente por conta das novas tecnologias, o cenário Covid-19 tirou este esquema do eixo de vez. Como as instituições, sejam escolas, sejam empresas, tratarão a educação coletiva, em especial para aquisição de pequenos conhecimentos via workshops e treinamentos a partir de agora? Serão os estudos menos aprofundados e mais voltados para a prática? Parece que em determinada medida o forçoso aprendizado a curtíssimo prazo para nossa adaptação ao mundo do Coronavírus poderá se impor como novo ritmo corriqueiro de aquisição de conhecimento. Mas que risco isso teria em um universo de tanta informação equivocada? Se o tempo era por si só o grande consolidador do conhecimento formal, passado de professores para alunos, como a informação nova, sobre o que é novo, sobreviveria tendo que ser confirmada e ratificada em tão pouco tempo, mesmo que por especialistas? Estamos experimentando isso solenemente com as vacinas no momento e não tem sido algo fácil.

O que aprendemos na escola durante a vida correspondiam a dados confirmados no decorrer da história e presumiam a existência de um mundo de longo prazo, no formato presencial, cujas informações eram passadas formalmente de mestres para aprendizes, em um quadro branco, registros literários, audiovisuais e digitais. Mas como fica a memória? Se vivemos em uma sociedade líquida de descarte permanente com foco no hoje e agora ‘por que memorizar?’ parece ser o melhor questionamento. Se conhecimento não ocupava espaço, agora ele ocupa menos espaço ainda, basicamente porque ele não necessariamente precisa ser armazenado (não que não devesse).

InstitucionalDiante de tantas perguntas, um comportamento já se prevalece. Parece não fazer mais sentido acumular conhecimento e repassá-lo adiante. Hoje se aprende algo que se vai aplicar nesta semana; semana que vem já se faz a matrícula em um curso para aprimorar-se noutro assunto de interesse para agenda do dia e assim sucessivamente.

No contexto geral, de 2020 para cá, muita informação precisou ser mantida em destaque: uso de máscaras; reforço para o isolamento social; regras para o regime flexível de trabalho; como usar o Microsoft Teams e o Zoom, e por aí vai. A informação é passada, mas neste caso específico precisou ser mantida por um tempo maior do que o prazo de sobrevivência do Coronavírus e este foi um desafio e tanto. Até hoje, por exemplo, nos deparamos facilmente com matérias em jornais e revistas sobre por que usar álcool em gel e por que evitar aglomerações. Não porque a informação foi esquecida, mas porque simplesmente não foi guardada com atenção e cuidado.

Além de um desafio para a comunicação, que demandará ondas maiores sobre assuntos de maior relevância, especialmente se encontrarem resistências negacionistas ou de fake news; a educação, por sua vez, também passa por uma mudança de mindset e ganha a forma do que se designou chamar de lifelong learning, cujo aprendizado tornou-se um processo e não mais uma ação propriamente dita. Aprendemos o novo que me é útil no tempo que me será útil. Não se faz mais sentido aprender para a vida toda.

As lives e webinars encontram aí seus apogeus. Momentos curtos de aprendizado; do lugar que melhor me convier e em alguns casos no momento que me for mais conveniente – que sonho! O desafio é manter debates e conversas qualificadas e trocas sustentáveis, o que de fato, nem sempre acontece.

Para a comunicação, a métrica que valerá mais será o engajamento e não o alcance. A via é de mão dupla. Posso aprender e ensinar inclusive na mesma ocasião. Privilegia-se a experiência co-criada, oportuna e provocativa. Para o sujeito social, por sua vez, o desafio é atualizar-se o tempo todo e para sempre. Já para as companhias, o lifelong learning pode representar uma mudança no perfil dos seus colaboradores – que se tornarão mais versáteis e adaptáveis na hora de desempenhar funções diferentes.

O ensino à distância não tem nada de novo; a concorrência pela atenção frente a larga oferta de informações e especialmente a utilização desse tempo de educação virtualizada com conteúdo de interesse imediato é o que definirão se determinada abordagem será apreendida e colocada em prática ou não. Estamos todos em um teste.

Sobre a coluna:

Os textos publicados abordam temas gerais da comunicação organizacional interna e externa; relacionamento com imprensa; redes sociais e marketing digital; reputação e imagem e assuntos de discussão mais recente como cultura e marca; propósito e employer branding.

O novo espaço é editado por Lia Medeiros (foto), diretora de Comunicação, Sustentabilidade e Pessoas da TN Petróleo, e assinado pelo jornalista André Luiz Barros, que há 12 anos trabalha com comunicação corporativa e atualmente acumula o cargo de gerente de comunicação em uma empresa do setor de óleo e gás.



Autor: André Luiz Barros
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