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Fonte: Valor Econômico
Data: 20/09/2004 00:00
A Exxon Mobil, maior empresa privada de petróleo e petroquímicos do mundo, está reestruturando-se para ter cinco grandes centros administrativos. Um deles está sendo montado em Curitiba, cidade piloto do projeto, que ficou responsável pela operação de 29 países da América do Sul, América Central, Caribe e pelo México.
A operação resultou em um salto no número de funcionários da companhia, de 50 para cerca de 700, e mais 500 terão de ser contratadas nos próximos meses. Os 50 de antes faziam apenas o atendimento a clientes de combustíveis da Esso no Brasil. Os que chegaram depois ganharam novas funções e vão muito além das fronteiras do país.
A idéia de criação dos centros surgiu logo após a fusão da Exxon com a Mobil, em 2000. Na época foi decidido que a América Latina seria a primeira a testar o projeto por ser a região menos complexa da companhia, onde há pouca exploração e refino e mais distribuição de combustíveis. "Hoje o conceito está sacramentado", diz José Geraldo Carvalho, 50 anos, que nos últimos quatro anos esteve à frente da gestação da área de suporte da Exxon Mobil América Latina, depois de atuar nas diretorias de finanças, informática e crédito. Há dois meses Carvalho trabalha em um novo projeto para a região e outro executivo - um colombiano, cujo nome não foi revelado - deverá ser apresentado à equipe nos próximos dias.
O novo diretor latino-americano terá o trabalho de concluir o centro de Curitiba até o final de 2005. Até lá diversas operações ainda terão de ser transferidas de outros países para a capital paranaense, onde ficarão as áreas de atendimento ao cliente, tecnologia, finanças, compras, informática, recursos humanos, contabilidade e crédito - o que justifica as contratações que ainda estão por vir.
A empresa vem publicando anúncios em jornais de grande circulação no país convidando os interessados em fazer parte da equipe. Recentemente, foram oferecidos "vários cargos" na área de contabilidade - especificamente financeira e de balanços -, para início em janeiro de 2005. O trabalho de contratação está a cargo do escritório argentino da consultoria Ernst & Young, que assina os anúncios.
Há quatro anos a Exxon Mobil estava instalada em Curitiba em um dos andares do edifício Itália, localizado no centro da cidade. Atualmente, ela ocupa sete andares do mesmo prédio e, no mês passado, tomou posse das chaves de outros oito andares de um dos edifícios mais modernos da cidade, o Corporate Evolution, que tem 11 pavimentos e integra o complexo multifuncional Evolution Towers, composto ainda por um condomínio de lofts e um hotel que será administrado pelo grupo Pestana. Dos oito andares reservados pela empresa, quatro estão ocupados e outros quatro aguardam os novos trabalhadores.
À primeira vista, pode parecer que a empresa está gastando uma nota no local. Mas Carvalho garante que, no final do processo de transferência, a redução de custos chegará a 40%. Ele diz que no ano passado os indicadores de desempenho mostraram que o modelo daria certo. A partir de então teve início a implantação dos outros quatro centros. Dois estão sendo montados na Europa, em Budapeste (Hungria) e Praga (República Tcheca). A Ásia será atendida pelo centro de Bangcoc (Tailândia) e a América do Norte pelo de Moncton (Canadá). As cidades escolhidas preencheram pelo menos três requisitos exigidos pela companhia: bons serviços de apoio, mão-de-obra qualificada e baixos custos.
Como exemplo de economia ele cita os salários. Antes, a operação de parte da América Latina era feita por Miami. Lá, informou, um analista financeiro sênior custava US$ 80 mil por ano para a companhia. Em Curitiba ele sai por US$ 20 mil anuais, e a renda mensal média desse funcionário é de cerca de US$ 1 mil. Além disso, por ser multinacional que presta serviços para fora, com tributação no país de origem, a empresa ganhou isenção dos 5% do Imposto Sobre Serviços (ISS).
A sede da Exxon Mobil fica em Irving, no Texas, mas ela possui operação em cerca de 200 países. Carvalho informou que nada muda nas áreas de marketing, vendas e suporte de vendas (que inclui a área jurídica). "Cada uma continua no seu país", afirmou. E os custos dos serviços prestados pelo pessoal de suporte são debitados no país de origem. No Brasil, por exemplo, a sede da empresa continuará no Rio de Janeiro. Em Curitiba, a parte administrativa de 29 países será unificada e para cada função haverá um diretor responsável.
Para decidir a localização do primeiro centro, cerca de 20 cidades foram analisados. Curitiba era a única representante brasileira da lista. Recentemente, para encontrar os profissionais que se encaixam no perfil ideal para essa reta final, a Exxon Mobil está contando com o apoio das instituições de ensino locais. O diretor acadêmico da FAE Business School, Judas Tadeu Grassi Mendes, foi procurado pela equipe de recursos humanos da empresa e convidado a sugerir nomes de pessoas graduadas ou com pós-graduação. "Não está sendo fácil encontrar candidatos porque eles procuram quem fale bem outras línguas", diz Grassi.
Os anúncios de contratação pedem fluência em inglês, mas o espanhol também é uma requisito básico, já que o centro vai administrar as operações dos países latino-americanos.
A dificuldade foi confirmada pelo diretor executivo da Américas, José Carlos de Oliveira, que faz consultoria em idiomas e foi chamada para avaliar o inglês dos candidatos. "Temos reprovado muitos", diz ele, que aplica o teste CCLE (capacidade de comunicação em língua estrangeira), composto de entrevista, conversa telefônica e via e-mail. Mas Carvalho minimiza o problema e cita que quase 700 já foram contratados - a grande maioria moradores de Curitiba.
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