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Revista Brasileira de Tecnologia e Negócios de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Indústria do Plástico

CBMM planeja investir R$ 1 bi em expansão

Fonte: Gazeta Mercantil

Data: 10/10/2008 04:23

São Paulo - Os sinais de arrefecimento da demanda mundial por aço parecem não assustar a produtora de nióbio Companhia Brasileira de Metalurgia de Mineração (CBMM), que pertence ao Grupo Moreira Salles. O metal é utilizado principalmente na produção de ligas que elevam a maleabilidade, a tenacidade e a resistência de outros metais, como aço, inox e níquel. "Vemos o cenário mais como uma oportunidade", disse o diretor geral da empresa, Tadeu Carneiro. Por isso, a companhia, que há dois meses inaugurou a expansão da capacidade da fábrica, em Araxá (MG), já aprovou investimentos adicionais de R$ 1 bilhão, considerando o câmbio atual. Com isso, a empresa aumentará a sua capacidade em 87%, para 150 mil toneladas até 2013.

 

Segundo Carneiro, ainda que haja uma recessão mundial, o consumo de aço deve se manter em crescimento e portanto exigirá novos investimentos por parte das companhias siderúrgicas. "Com a falta de crédito, as empresas podem não ter liquidez para expandir a capacidade, mas poderão usar mais nióbio para ampliar a oferta de aço", disse. Conforme explicou, a aplicação do aço associado ao nióbio permite à cadeia automotiva, à indústria de tubos para transporte de gás natural e petróleo e ao setor de construção usar menor volume de aço na fabricação de autopeças, dutos, pontes e edifícios.

 

Carneiro destacou que o consumo do metal também deve ser estimulado devido à crescente preocupação com eficiência energética. Por reduzir o volume de aço necessário na fabricação de autopeças, permite a redução do peso de automóveis e, conseqüentemente, do consumo de combustível. Por outro lado, permite melhor performance de turbinas, como as usadas em aviões, uma vez que suporta maiores temperaturas, que possibilitam a combustão com mais eficiência.

 

Petróleo

 

Carneiro também aposta no potencial do mercado de dutos para o setor de petróleo e gás. "As reservas encontradas hoje são cada vez mais distantes e por isso exigem dutos mais extensos e de calibre maior." Segundo estimativa do Relatório Mundial de Dutos, entre 2008 e 2012 serão construídos 150 mil quilômetros de dutos, o que exigirá investimentos de US$ 178 bilhões.

 

O desenvolvimento dos campos de petróleo em águas profundas e do pré-sal também garantem bom potencial para a CBMM. É de uma liga de aço com nióbio o duto usado pela Independence Trail na plataforma instalada na distância recorde de lâmina d’água, de 2,5 quilômetros, no Golfo do México, informou Carneiro. "Para resistir ao ambiente de forte corrosão é necessário um duto de aço com baixo carbono", disse o executivo, explicando que em contrapartida, à redução do carbono se adiciona volumes mais altos de nióbio. No caso do pré-sal, será necessário desenvolver novas especificações para o metal, mas a CBMM já trabalha para tentar emplacar um tipo de liga que contenha nióbio, disse Carneiro.

 

Atualmente, 80% do nióbio vendido é utilizado em ligas ferro-nióbio, consumidas na produção dos dutos e também pela industria automotiva e da construção. Outros 10% são usados na produção de alguns tipos de aço inoxidável, usados principalmente na produção de escapamentos veiculares. Entre os 10% restantes estão as ligas de níquel (7%) para as turbinas de avião e outras aplicações especiais.

 

O Brasil produz 95% da produção mundial de nióbio e a CBMM é a maior fabricante nacional. Até 2007 podia produzir 70 mil toneladas/ano de nióbio, capacidade ampliada para 90 mil toneladas. A companhia, que até agosto faturou R$ 2 bilhões, iniciou a segunda fase de expansão, na qual aplicará R$ 250 milhões para elevar capacidade para 110 mil toneladas até 2011. Para a terceira fase estão previstos mais US$ 350 milhões para alcançar 150 mil toneladas/ano.

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